sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ilusão

(ams)

«As ilusões», dizia-me o meu amigo, «talvez sejam em tão grande número quanto as relações dos homens entre si ou entre os homens e as coisas. E, quando a ilusão desaparece, ou seja, quando vemos o ser ou o facto tal como existe fora de nós, experimentamos um sentimento bizarro, metade dele complicada pela lástima da fantasia desaparecida, metade pela surpresa agradável diante da novidade, diante do facto real».


Charles Baudelaire



quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Avareza

(ams)

Eu já decidi que - «forretice»*, para nós outros portugueses, é ainda a única virtude que podemos cultivar com proveito.

Eça de Queiróz

*Forretice - o mesmo que avareza

domingo, 22 de agosto de 2010

Preguiça

(ams)

Prefiro deitar e dormir a levantar e trabalhar. Alguns chamam isso de preguiça, eu chamo de pensamento profundo.
Garfield

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Vaidade

(ams)

Aquilo em que se tem mais vaidade é o corpo. Mesmo que aleijado, há sempre um pormenor que nos envaidece. Compô-lo. Arranjá-lo. O careca puxa o cabelo desde o cachaço ou do olho do cú para tapar a degradação. O marreco faz peito. O espelho é para todos o grande dialogante. Passa-se a uma vitrina e olha-se de soslaio a ver como se vai. Uma mulher perfeita (e um homem) não inveja o intelectual, o artista. O inverso é que é. Muitas mulheres (e homens) cultivam a excepcionalidade do seu espírito ou engenho por complexo ou vingança. Quando se não tem já vaidade no corpo, está-se no fim. Mas mesmo num leito de morte nos queremos «compostos». «Não me descomponhas» — disse a marquesa de Távora ao carrasco, uns momentos antes de ser decapitada. Tomam-se providências para como se há-de ir no caixão. A degradação do corpo é a última coisa que se aceita. Hoje lavei o carro e vesti um calção para me não molhar. Dei uma vista de olhos ao espelho. Grumos, tumefacções pelas pernas. Não gostei. Não muito tempo. Lembrou-me um certo professor.


Vergílio Ferreira

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Gula

(ams)


Aqueles que apanham indigestões ou se embriagam, não sabem nem comer, nem beber.


Anthelme Brillat-Savarin